Com toda certeza o fator que mais me faz gostar de Counter-Strike, competitivamente falando, é que o seu “boneco” não melhora, você melhora. Não importa se você joga dez horas por dia ou duas horas, tudo depende de como você joga. Gastar rios de dinheiro não melhoram seu desempenho in game, a AWP Dragon Lore mata igual a nostálgica verdinha. Muito menos seus pontos de experiencia ou a popular “patente” deixam seu personagem mais forte que o do adversário.

O jogo é baseado em táticas e estratégias, mas mesmo a mais bem arquitetada entrada pode falhar quando um CT encaixa uma grande jogada, mesclando raciocínio rápido e mira. O coletivo é sem dúvida o fator primordial para se fazer um time campeão, mas quantas vezes já vimos esses times sendo salvos por uma jogada brilhante de um único jogador? O sucesso do jogo durante tantos anos, ao menos para mim, se deve ao fato de ser skill based ou seja, um jogo baseado em ser mais habilidoso em suas mecânicas do que seu adversário. O game, ao menos deveria, dar sempre  vantagem ao jogador que usa melhor sua mira. Digo que ao menos deveria, porque não era o que estávamos vendo ultimamente.

É perceptível que a Valve tenta deixar todas as armas do jogo úteis e assim deveria ser, obedecendo é claro, algumas regras. As armas mais baratas devem ser situacionais. Por exemplo, a MAG7 é muito mais barata que a M4A4 e mata com facilidade de perto, mas é completamente inútil a distancia.

O ponto fora da curva eram as pistolas que são largamente usadas nos rounds eco, por serem baratas. Algumas delas, principalmente, a Tec9, Five Seven e P250 estavam gritantemente desbalanceadas. Indo totalmente contra a essência do jogo: melhor mira, melhores resultados. Nós víamos varias e varias vezes a Tec9 sendo usada sem nenhuma perícia, apenas atirando o mais rápido possível e rezando para acertar de cinco a seis balas e eliminar o adversário. Foi a primeira a receber alterações. Perceba que eu disse alterações e não “nerf“. A arma não foi apenas “piorada”, ela recebeu um aumento enorme na precisão de primeira bala, beneficiando os jogadores que usam a mira buscando mais calmamente um headshot do que fuzilar o oponente com cinco tiros. É, ao meu ver, um passo excelente da Valve. Quanto mais precisarmos de pericia para usar as armas, mais divertido fica o jogo. O saldo no final foi negativo para a arma, por enquanto. Podemos ver pela reação dos jogadores profissionais, a maioria não tentou se adaptar a nova Tec9 e partiu para a CZ-75.

Outro caso que beirava o ridículo era a P250 e a sua bala de ouro. Por apenas $300 você podia eliminar um adversário completamente armado e de capacete com um único headshot em uma distancia curta. Nem a M4A4, a queima roupa, conseguia tal proeza. Agora isso não vai mais acontecer. A Valve diminuiu a penetração em colete fazendo com que não seja mais possível eliminar o adversário em uma bala, desde que ele esteja com 100 de HP. Em contra partida, aumentou o dano e a precisão dos disparos de longe fazendo a arma um pouco mais útil em combates menos próximos, algo em que a arma tinha grande desvantagem.

Por ultimo e não menos importante, a diminuição do aimpunch. Aquela tremida na tela que joga a mira lá no alto quando se recebe um tiro sem colete. A mensagem que a desenvolvedora do jogo tenta passar, ao menos para mim, é clara: “Não queremos que vocês vençam duelos na sorte, chega de atirar feitos doidos e mirem na cabeça procurem o tiro perfeito, usem a arma direito.” A diminuição do aimpunch vem para facilitar isso, seria impossível vencer um eco/half buy com a sua mira sendo jogada pro alto da tela,e sem a possibilidade de atirar rapidamente tentando eliminar na base da força bruta. Ainda assim, a diminuição foi grande. Vejo muito perigo em rounds AK/Sem colete, coisa que hoje, não existe, pois é impossível dar um spray sem colete ao receber um tiro. Aguardo para ver a mudança no meta do game, principalmente no que diz respeito aos ecos, se veremos rifles/sem colete e coisas do gênero. Reitero que a mudança faz sentido, mas acredito que ainda precisa de um ajuste mais fino para chegar a perfeição.

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