A primeira LAN, logo após a pausa para descanso dos jogadores, nos trouxe surpresas e algumas decepções. Estreias de novos jogadores, retorno de antigos e um campeonato que gerou muita curiosidade para ver, como os times se comportariam. Todos sabemos, que o competitivo em  alto nível no CS é extremamente equilibrado. Nós vemos, todos os dias, times ganhando e perdendo. Dificilmente, temos times imbatíveis e por isso valorizamos tanto, os que constantemente estão no topo. Quando não conseguem chegar a fundo no torneio, encaramos como uma decepção.

A começar pelo Poland Virtus.pro. Sinceramente, estamos chegando a um período, onde o VP não chegar nas cabeças dos torneios, vem deixando de ser surpresa e acontecendo com grande frequência. Entre E-league Major e DH Masters Las Vegas, eles ganharam 19 mapas e de lá para cá, apenas 9, entre a StarLadder, ESL One Cologne PGL Major

Na analise anterior (que voce encontra aqui), eu falei sobre chance de cada time ser campeão, apontei três grandes favoritos. Brazil SKDenmark Astralis e European Union FaZe Clan. Com a Brazil Immortals também no páreo correndo por fora. Porém, nenhum desses, conseguiu chegar entre os quatro primeiros. Começo falando sobre a Astralis.

Após a entrada de Denmark Lukas “gla1ve” Rossander como IGL da equipe, o time nunca havia ficado fora do top 4de um campeonato. Novamente derrota para a Kazakhstan Gambit, time que os eliminou do PGL Major. A equipe cazaque tem sido a pedra no sapado de Denmark Peter “dupreeh” Rasmussen e cia. Dessa vez um 2-0, com direito a uma Mirage com lado CT quase perfeito por parte do Gambit, deixando qualquer chance de comeback, muito difícil. É preciso ligar, sim, um sinal de alerta, o ultimo titulo do Astralis, foi em março. Estar chegando sempre entre o semifinalistas, era um indicio que mesmo o titulo não vindo, eles estavam no caminho certo, mas dessa vez, nem isso não aconteceu.

FaZe, dentre os citados favoritos, talvez seja o time que tem mais “desculpa” para a fraca campanha, culminando com eliminação na primeira fase. A estrelada lineup, é nova, de fato, mas ao trocar jogadores, tidos como “pontos fracos” do time, por duas estrelas como Slovakia Ladislav “GuardiaN” Kovács Sweden Olof “olofmeister” Kajbjer, você espera por resultados melhores. Não podemos condenar o time, é claro. O hype, por resultados melhores também vem, em parte, da comunidade, que enxerga apenas os nomes envolvidos na equipe. O CS já nos ensinou, muitas vezes que times recém montados, principalmente os grandes, com estrelas, demoram um pouco a se firmar. Talvez por ter de adaptar seus jogadores às funções em grupo, corrigir problemas, de ter muitos grandes jogadores, que acham que podem decidir um round a qualquer momento, e acabam quebrando a teamplay da equipe. Os fatores são vários. Sobre a FaZe hoje, só resta aguardar o treinamento, dar tempo e esperar pelo trabalho da equipe. Com certeza, ainda acho que é um time que vai entrar em todo campeonato tier1 como favorito.

Acredito que a Immortals, foi a equipe que menos tempo teve para treinar, devido aos problemas, que sua lineup teve no período em que todos estavam retornando as atividades. Os jogadores demoraram, um pouco mais para voltar aos Estados Unidos. É claro que poucos dias a menos, não são uma grande justificativa. A equipe avançou, vencendo três mapas contra a recém formada Sweden fnatic e perdeu duas MD3, para os finalistas do torneio. Foram derrotas para times, que fizeram uma excelente DH, campeão e vice. Essa equipe, tem condições sim, de repetir atuações como as do PGL Major. Precisa apenas de mais consistência para fechar rounds 2v2, 3v2. Sem esses pontos, vencer equipes do top 5 é muito difícil, visto que eles não costumam vacilar, quando tem a vantagem. Corrigir esses detalhes, deve ser a prioridade da equipe agora. Se firmar entre os tops e disputar todas as LANs grandes, deve provar a todos que a Immortals é sim, um time a ser considerado forte candidato, nos campeonatos que disputa.

Para encerrar sobre os times que eram favorito. A SK, assim como a Immortals, perdeu para campeão e vice. France G2 e Denmark North. Justificar derrotas, usando o adversário como desculpa, não é algo que o time top 1 do mundo deve fazer, mas não podemos deixar de dar méritos, as equipes que venceram a SK e fizeram um torneio brilhante. Acredito que hoje, o G2 é, sem duvidas, o pior adversário para SK. Nenhuma MD3, foi vencida contra eles, desde que a equipe foi formada. A unica vitória foi na MD1 da ECS Finals. Acredito, que a equipe vem passando, por aquele momento de renovação, assim como foi dito por alguns players. Eles venceram muitos torneios, foram alvos de analises (vide a derrota para a Astralis no major) e precisam criar coisas novas, se reinventar para retomar o caminho das vitórias. História essa que já conhecemos bem. Nenhuma equipe no mundo tem o poder de retomada que a SK tem. Varias vezes, a equipe emendou vitórias, sofreu um período abaixo e retornou às vitórias. Logo na semana que vem, o time tem um torneio na Grécia, sem a participação das grandes potencias, além do Gambit, talvez seja o tipo de campeonato que a equipe precise agora, não enfrentará seus grandes adversários e poderá fazer seu jogo. O grande ponto é que vai precisar lidar com a pressão de ser a grande favorita e não vencer esse campeonato, pode colocar alguns questionamentos, sobre o estilo de jogo atual do time.

Os campeões G2, não chegam a surpreender, todos sabemos que é um grande time, mas desde a EPL Seasson 5, não venciam um torneio tier1. France Richard “shox” Papillon e cia, vem evoluindo e jogaram este torneio de forma muito mais organizada do que o PGL Major, quando foram eliminados na primeira fase. Poder de fogo, não é problema para a equipe, que conta com France Kenny “kennyS” Schrub, um dos melhores AWPs do cenário e Shox, tratado por muitos, como uma das estrelas individuais do cenário. Era claro que faltava organização ao time, víamos diversas vezes uma má administração, quanto aos recursos financeiros, jogando vários rounds forçados, vencendo alguns, de fato, mas ainda assim custando alguns mapas. Esperasse agora, que o time continue a jogar dessa forma, e resta saber, como se comportarão, após eliminar a SK, vencer a Immortals e a sensação do campeonato, Gambit. Com certeza, os adversários, estudarão, o que mudou no G2 do major, para o G2 da DH. Como e quais recursos eles usaram para se reestruturar e jogar mais organizados. É isso que difere os grandes times, dos “sensações”, a capacidade de jogar bem, por muitos campeonatos, impor seu jogo e criar uma identidade, coisa que a G2, ainda não tem, mas está no caminho de criar

Os campeões da G2 Esports – Foto hltv.org

A equipe da North, após desligar Denmark Emil “Magisk” Reif do time, melhorou muito seu desempenho. Denmark Kristian “k0nfig” Wienecke, foi a estrela do time e o melhor jogador, estatisticamente, do torneio. A equipe, por exemplo, nunca havia vencido a SK, e ainda aproveitou para levar outra MD3 contra os brasileiros da Immortals. A saída de um jogador, explica a melhora de outro, de varias formas. A principal delas, geralmente é na questão dos papeis que cada um assume, provavelmente, agora, K0nfig, está mais a vontade, para jogar de uma forma que se sente confortável, e assim conseguiu aumentar muito seu desempenho. Cabe também a North, a duvida, se vão conseguir manter o aproveitamento. Já vimos esse time brilhar como Dignitas, à época da EPICENTER, mas foi um período curto. O cenário está cheio de equipes fortes e equilibrado como talvez nunca esteve, vamos ver se o “segundo” time dinamarquês, consegue, se manter.

Um dos times que me surpreendeu positivamente, foi o Gambit. Eu realmente achei que a saída de Ukraine Danylo “Zeus” Teslenko pesaria para a equipe, mas ao contrario do que outros talvez fariam, o time apostou na entrada de um jogador com grande skill individual. Ao invés de buscar um IGL, Kazakhstan Dauren “AdreN” Kystaubayev assumiu a posição na equipe, e disse a Kazakhstan Bektiyar “fitch” Bahytov , que se preocupasse apenas em atirar, segundo entrevista com o próprio novato. Mais uma vez o time eliminou a Astralis e vem se tornando um carrasco aos dinamarqueses. Chegar a uma semifinal de um campeonato com os mais fortes times do cenário, prova que o Gambit, não foi zebra no Major e quem acompanha o cenário de perto, sabe de uma vez por todas que a equipe é forte e vem pra brigar por todos os campeonatos que disputar. A capacidade de assimilar tão rápido a perda do IGL, é para poucos. Colocar em seu lugar, um jogador até então desconhecido, e que já chega provando que é capaz, é ainda mais raro.

Gambit, AdreN em destaque – Foto hltv.org

Gostaria de mencionar no final, os Sweden Ninjas in Pyjamas, a equipe chegou a semifinal, após longo período de problemas e maus resultados, a entrada de Sweden Fredrik “REZ” Sterner, fez o time ganhar em poder de fogo, a vitória sobre o estrelado FaZe Clan, na primeira rodada já mostrou isso. Além de que, a equipe vem mostrando um map pool interessante, a Nuke, se mostra um mapa fortíssimo, além da Cache. É cedo de fato para dizer que o time, encontrou o caminho certo, mas não é cedo para dizer que mostrou melhora. A união de juventude e experiencia, parece ter caído bem, quando um lado não está tão bem, o outro surge e resolve a situação. Realmente tenho esperanças de ver um NiP, forte novamente.

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